"Sentir tanto virou música": Mirela Hazin fala sobre o lançamento do seu primeiro álbum
Recifense de 20 anos conversou com a TAG Revista sobre a sua carreira e os bastidores por trás do álbum ‘Tanto para Dizer’

“O álbum é um grande desabafo de como foi lidar com as consequências de ter falado”, disse Mirela Hazin sobre o ‘Tanto pra Dizer’, seu primeiro álbum de estúdio lançado neste mês de abril. A cantora e compositora tem 20 anos, mora no Recife e conquista com sua voz gostosa de ouvir enquanto canta coisas bonitas da suas experiências (ou sua visão de como essas seriam) como uma jovem da geração Z com inseguranças e em constante evolução, mas repleta de vontade de se descobrir através da música.
O projeto conta com 12 faixas, todas de composição de Mirela e produção conjunta da própria e seu amigo e parceiro profissional, Eutimyo. São canções que acompanham a cantora durante sua adolescência, porém refletem esse seu caminho de amadurecimento. É um diário pessoal com melodia, afinal ela diz que “sempre preferiu escrever do que falar”, e nada melhor do que compartilhar isso com outros jovens para sentirem as emoções, se identificarem e curtirem seu som.
A TAG Revista descobriu um pouco mais dos bastidores do processo criativo do ‘Tanto pra Dizer’ e as visões e reflexões de Mirela Hazin sobre sua carreira através de uma entrevista com a artista em ascensão. Confira o resultado dessa conversa:
TAG: Como começou sua história com a música e quando é que você começou a ter esse interesse por cantar, compor, tocar?
MIRELA: A minha casa é um meio muito musical por causa do meu pai. Ele é músico, não de formação, mas leva com uma paixão, tocando saxofone, instrumentos de sopro… E aí desde quando eu era muito pequena ele sempre passava o dia ouvindo música, tocava percussão, então desde pequenininha eu já entrei nesse mundo. Eu quis inclusive tocar violão muito cedo e implorava pro meu pai me ensinar. Ele me ensinou alguns acordes e fiquei tendo aulas de violão até os quatorze anos que foi quando entrei no conservatório para estudar mais afundo. Mas eu vi que queria fazer música e comecei a compor com quinze anos em inglês porque era o que eu consumia na época e tinha mais facilidade. O português é mais “poesia” e como você vai rimar essas palavras na forma mais profunda, sabe? Quando mudei o idioma foi um pouco mais difícil, mas vi que eu tinha gostado e foi funcionando até 2020 eu lançar minha primeira música no YouTube. Ela teve uma recepção muito boa com os meus amigos, eles gostaram muito e compartilharam e foi uma sensação que eu gostei bastante. Aí depois disso eu fui lançando outras músicas e por aí foi.
TAG: Quando você viu essa boa resposta do pessoal, já tinha em mente criar um álbum?
MIRELA: Sempre quis ser cantora desde os quatorze anos, mas era uma coisa tão difícil de conseguir que virou um sonho distante. Só que quando lancei minha música em português durante a pandemia e o pessoal gostou, eu fiz um vídeo sobre a situação que a gente estava vivenciando com vários clipes meus, com amigos e família e muita gente gostou e se emocionou. Foi surreal quando eu percebi que faz sentido expor, que ajuda e é um sentimento muito bom. Nessa época, eu também passei a ter mais relacionamentos e comecei a escrever bastante até que a Fábrica [gravadora] me encontrou através daquilo que eu já tinha lançado e veio a ideia de lançar um álbum. Eu cheguei com doze músicas prontas e começou o processo de produção.
TAG: As músicas são sobre suas experiências ou você criou um personagem como eu lírico?
MIRELA: Algumas músicas escrevi com pessoas em mente, mas o álbum é dividido. É um processo de juntar as experiências pessoais com o que eu imagino ser, transformando em um eu lírico. Gosto muito disso da música que você consegue viajar, de se colocar em um lugar que não é seu e passar a imaginar. Eu acho isso fantástico.
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TAG: Sobre influências: seu álbum é bem mesclado de diferentes gerações. Como foi o processo para criar a personalidade do ‘Tanto pra Dizer’ através de referências de outros artistas?
MIRELA: Tenho que citar meu amigo e produtor, Eutimyo. Para fazer o álbum, a gente juntou nossos estilos meio pop e violão e criamos uma playlist com todas as músicas, tanto brasileiras como internacionais, que queríamos usar como referência na hora de produção e de compor. Tem a música ‘Saudade’, por exemplo, que eu pensei logo em referenciar ‘Resposta’ de Skank, e Eutimyo quis trazer uma pegada Rosalía com a música ‘Hentai’, que começa bem calminha e dá uma enlouquecida no final. E foi nessa parte que a gente também se baseou muito em ‘Vampire’ de Olivia Rodrigo. Então usamos muito aquilo que a gente curtia e achava interessante para o álbum.
TAG: Falando em inspirações, você tem um feat dos sonhos?
MIRELA: Nacional, eu sou muito fã de Clarice Falcão, Duda Beat, Anavitória, Mallu Magalhães… Também seria um sonho Rodrigo Alarcon, Ana Frango Elétrico e Marisa Monte, que é a minha musa brasileira. Internacional, eu gosto muito de boygenius, Dominik Fike, Hayley Williams e Harry Styles, que é meu artista favorito.
TAG: Algo que chama muita atenção no ‘Tanto pra Dizer’ é a capa do álbum. Como você enxerga essa conexão da capa com a personalidade do projeto?
MIRELA: Desde o começo, quando a gente já tinha as músicas estruturadas, eu queria muito trazer essa estética do verão e da praia por me conectar muito com isso. É o meu lugar favorito para tocar música e acho que as canções combinam com essa estética. Levei isso para Moma e Fato [direção criativa] e elus pediram para mandar um texto sobre o significado por trás do álbum. E, para mim, ele é um grande desabafo, é sobre falar tudo, ter tanto para dizer e de início não querer expor esse sentimento até o ponto que as palavras são ditas e como eu lidei com as consequências de ter falado. E foi aí que enxergamos o conceito da boca, por ser dela onde eu falo, canto e amo, repartida com uma divisória, como se estivéssemos em dois planos diferentes. Juntamos isso com a ideia da praia e fizemos o conceito de colagem, que eu e Fato como designers amamos. O megafone veio de como se eu estivesse gritando e a guitarra por eu ser muito próxima do instrumento e ele ter me acompanhado muito nas minhas composições. No fim, fiquei apaixonada pelo resultado final e estética faz muito sentido com todas as músicas.

TAG: Para finalizar, queremos falar do futuro: como você vê a Mirela daqui a 10 anos?
MIRELA: Daqui a dez anos eu quero me ver consolidada na música, eu acho que é o meu objetivo principal. A gente sabe que é um grande desafio no Brasil você conseguir viver só disso, mas eu quero estar fazendo o que eu gosto, escrevendo minhas músicas, me aperfeiçoando no violão, na guitarra e outros instrumento. Acho que tudo conectado à música e fazendo shows, turnês, explorando outras experiências musicais, somando com outros artistas, trabalhar com novos gêneros musicais e me estruturar nessa carreira artística. Também pretendo terminar o curso de Design e juntar essa paixão com outras tornando uma só arte.
A TAG agradece a Mirela pelo bate-papo e torce pelo seu sucesso e que ela continue explorando seus sentimentos e transformando em música. Para finalizar, não poderíamos deixar de colocar o nosso TOP 3 do ‘Tanto pra Dizer’:
O Que Vai Ser de Mim
Saudade
Delírio
Menção Honrosa: Quero Ficar
Ouça Mirela Hazin: